- Não tenho certeza como essa merda começou ... ouvi alguma coisa na
rádio mais cedo mas não dei muita importância, estava de férias, saindo para
mais um dia de "passeio" ... nada podia dar errado.
7:03 William acordou, trocou de roupa, uma calça jeans e uma camiseta
estampada, tomou um café rápido e partiu na companhia de um bom livro para Ilha
bela. Estava praticamente obrigado no local, pois tinha que entregar um
trabalho ao cliente, um homem velho, do tipo que não usava computador, por não saber
mexer ou simplesmente por detestar mudança e tentava fazer tudo pessoalmente,
eis o motivo do jovem rapaz de barba rala e cabelos negros, ter que ir a ilha.
Atravessou as ruas de pedra, admirou com os óculos escuros a ilha e o
mar mais ao fundo. Chegou a balsa que o transportaria, pagou a taxa e esperou
durante cinco minutos na fila de carros. A música parou de tocar no rádio para
um comunicado especial, William não deu importância, trocou de estação e ligou
novamente o carro para embarcar.
Por mais que obrigado pela profissão a trabalhar durante suas férias,
estava aproveitando a paisagem e não queria esquentar a cabeça com alguma
noticia urgente que não deveria passar de congestionamento, ou algum atentado
terrorista no mundo afora.
8:34 A viajem até a Ilha bela foi tranquila, as pessoas tiraram fotos de
um navio militar a qual a balça passara perto. Notou no painel do carro, que a
gasolina estava no fim e planejou abastecer no caminho de volta, queria chegar
no encontro com antecedência. Nenhum contratempo ocorreu, pouco antes de
desembarcar viu um helicóptero chegando e pousando, provavelmente algum rico
que veio relaxar na sua "casa de campo".
Deixou o barco e adentrou as cidades a beira da praia, observou um
acidente de carro no canto de estrada, chegou no quiosque que lhe havia sido
informado na agencia, estacionou o carro. Sentou-se em um banco de plástico a
beira da água numa plataforma de madeira, protegido por um guarda-sol preso a
mesa ele abriu o livro e começou a ler calmamente.
Alguns sons estranhos roubaram sua atenção, gritos distantes e abafados,
mas seu bom senso logo interpretou aquilo como alguém que estivesse brincando
na praia, talvez crianças que tinham a mania irritante de gritar
desnecessariamente.
Um dos atendentes do quiosque, um homem moreno, de camisa vermelha,
shorts cinza e descalço chegou perto dele e perguntou gentilmente enquanto
jogava o cigarro que acabara de tragar para longe - O que vai querer?
William fitou o cardápio sobre a mesa e antes que sua boca pudesse
pronunciar a resposta, um novo grito o interrompeu, seu olhar e o do atendente
se viraram para o lado, onde uma mulher loira em trajes de banho caíra de uma
área mais elevada de uma loja de surf na rua e estava sendo atacada por um
homem.
Os dois em um impulso saíram correndo ao encontro dela, o atendente
puxou o agressor para longe da loira, enquanto William verificava como ela
estava.
O homem expelia sangue pela boca e tinha as veias saltadas nos olhos e
na pele, que estava pálida e de consistência estranha. O atendente tentou
dialogar com ele, talvez fosse um drogado e estivesse tendo uma overdose. Nada
adiantou, ele avançou e o mordeu no braço esquerdo do moço, numa resposta
imediata levou um gancho de direita e caiu no chão desacordado.
William verificava a mulher que fora apenas arranhada, quando viu o
ataque e a mordida que o atendente levara. Pediu para que se senta-se e correu
até o carro a procura do celular que havia esquecido no banco de trás, para
finalmente chamar ajuda.
Já dentro do veiculo após teclar o numero da emergência, se deparou com
a mensagem - não podemos completar a ligação, todas as linhas estão ocupadas no
momento, tente mais tarde - Coçou a barba desesperado, vendo o homem sangrar
sem parar pela mordida, enquanto a loira ao seu lado arrancava um pedaço de
pano e tentava estacar o sangramento.
A mesma mensagem se repetiu após a segunda tentativa, como era possível
uma coisa daquelas? ele pagava a conta do celular certinha todo mês nunca usava
o aparelho e quando mais precisa não funciona. Voltou os olhos novamente para o
homem de camisa vermelha, que agora caíra no chão em convulsão amparado pela
mulher.
Pensou rápido e ligou o carro, a unica ideia que lhe veio a mente foi
pegar o ferido e leva-lo ao hospital mais próximo, mas seus planos seriam logo
frustrados. O rádio se ligara junto com o veiculo reproduzindo a mensagem - Nós
avisamos, avisamos a vocês! começou! nós somos a resistência! se armem! se
preparem! - enquanto as palavras fortes pronunciadas por uma voz grossa e
imponente se espalham, o olhar de William se voltou a rua onde o atendente
agora se levantara e grudara no pescoço da loira a mordendo violentamente, em
seguida afundando as mãos em sua barriga, arrancando as tripas e se saciando
com ela.
- Começou!! não ha mais volta, estou em contato com meus colegas e já
estamos procurando um local seguro para nos instalarmos, faça o mesmo, pois a
partir de agora, é cada um por si!
Mais dois insanos saíram correndo das ruas laterais e se juntaram ao
banquete, enquanto William assistia a cena estático. O que faria? como aquilo
pudera acontecer? o que aconteceu com aquelas pessoas? um tipo de infecção ?
vírus? era transmitido pela mordida? ou estava no ar?!
Um dos infectados então reparou nele e saiu correndo, em direção ao
carro, cheio de feridas no rosto e com um machado enfiado na barriga, todas as
duvidas dele então cessaram diante do mais antigo e primitivo instinto humano.
Auto preservação.
Ele acelerou e atropelou o desmorto que vinha em sua direção e em
seguida os dois que se alimentavam da pobre moça loira, olhou mais adiante,
para o alto e viu o helicóptero que chegara junto com ele, tentando se afastar
do heliporto, mas com várias pessoas penduradas na lateral, perdeu o equilíbrio
e se chocou contra a montanha. Esparramando sobre a superfície fogo, fumaça,
metal retorcido e uma massa de corpos.
Acelerou mais, viu outras pessoas correndo desvairadas no meio da rua,
carros batidos, outras no chão ensanguentadas, policiais atirando nos que
corriam para cima deles, Explosão! um posto de gasolina aparentemente, um carro
parecia ter batido nele. William precisava sair da ilha o mais rápido possível
...
Foi quando, de repente ... o carro parou ... estava sem gasolina.